
A antropologia jurídica explora sistemas legais, normas e processos através de diversos contextos culturais. Enraizada na pesquisa etnográfica, este campo examina como as sociedades constroem e aplicam estruturas legais, focando em mecanismos jurídicos formais e informais. Emergindo de tradições filosóficas e antropológicas, desafia interpretações etnocêntricas do law[2], enfatizando o relativismo cultural. Investigadores estudam instituições legais, resolução de conflitos, dinâmicas de poder e práticas normativas através de abordagens comparativas e interpretativas. Perspetivas-chave incluem visões funcionalistas que analisam papéis sociais dos sistemas legais e paradigmas pluralistas que reconhecem múltiplas estruturas legais coexistentes. A disciplina vai além de estudos etnográficos tradicionais de sociedades “primitivas”, abrangendo estruturas legais ocidentais complexas. Ao analisar fatores culturais que moldam experiências legais, a antropologia jurídica proporciona insights sobre como diferentes sociedades conceptualizam justice[1], desvio e ordem normativa.
Antropologia do direito, Antropologia legal or Antropologia jurídica é uma área da Anthropology (or etnologia) voltada ao estudo das categorias que perpassam o saber jurídico: seus mecanismos de produção, reprodução e consumo, o que abrange desde a descrição das normas, elaboração das leis, análise da coexistência de sistemas jurídicos formais e informais, pesquisa do desvio das normas legais, perícia, mediação e resolução de conflitos, além da correção e readaptação dos desviantes dos parâmetros normativos aceitos pela sociedade. No campo teórico, a antropologia jurídica formula e discute os fatores culturais e sociais que os operadores do direito desenvolvem durante os processos legais. Estudando tanto o “ser” quanto o “dever-ser”.
Uma perspectiva hoje obsoleta limita a antropologia jurídica ao estudo da Ordem social, das Regras e das Sanções em sociedades "simples": de "direito primitivo", não especializado, não diferenciado, não estatizado. (as aspas e negrito são do citado autor) . Hoje, todavia, a antropologia jurídica não só se ocupa do direito do Outro, mas também das instituições jurídicas das sociedades complexas do mundo ocidental industrializado.